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6 jan 2020

Rastreabilidade como pontapé para Indústria 4.0

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Legado e Possibilidades

Recentemente, tem se tornado comum ouvir falar sobre a quarta revolução industrial, que é também denominada Indústria 4.0. O termo explica a aplicação das novas tecnologias nos principais processos industriais.

Entre as características mais marcantes deste conceito estão a automação de tarefas e o controle de dados e informações. Para isso, são utilizadas tecnologias como IOT (internet das coisas), big data, blockchain, robôs, sensores e IA (inteligência artificial) 

Antes de falarmos sobre a indústria 4.0 na indústria farmacêutica, é importante analisar a situação das indústrias em geral no Brasil. De acordo com um levantamento recente da consultoria IDados, com base em números da Federação Internacional de Robótica (IFR), o país tinha em 2017, 12.373 robôs industriais, o que representa apenas 0,6% das máquinas desse tipo instaladas em todo o mundo. 

Com isso, o Brasil fica em 18º lugar no ranking dos países mais automatizados. Segundo as principais fornecedoras de robôs para o Brasil, o estoque de autômatos no país gira em torno de 16 mil, já que 54% dessas máquinas se encontram na indústria automobilística.

O Brasil caiu no ranking de inovação 

Entre 129 países, o Brasil é o 66º mais inovador segundo o Índice Global de Inovação (IGI). O país perdeu duas posições em relação ao ano anterior, em que ocupava o 64ª lugar. Suíça, Suécia, Estados Unidos, Países Baixos e Reino Unido lideram o ranking divulgado na manhã desta quarta-feira (24/7), em Nova Deli, na Índia. A China, por sua vez, segue em ascensão, agora em 14º lugar entre as nações mais inovadoras, ultrapassando o Japão (15º).

Entre os atrasos que acompanham o baixo índice de automação na indústria brasileira está o fato que, em sua maioria, a tecnologia é estrangeira, o que torna o investimento alto para as indústrias nacionais devido a impostos de importação entre outros entraves.

Atraso é ainda maior no setor farmacêutico

Na indústria farmacêutica, a automação é ainda menor, devido ao conservadorismo regulatório, como explica a coordenadora do Grupo de Rastreabilidade, Amanda Sylvan Neves. “Evita-se mudar para não correr riscos em auditoria, mas na atual conjuntura não inovar ou não investir em tecnologia é perder espaço para competidores”, conta a profissional, que também comentou sobre a mudança no cenário.

“A indústria farmacêutica era medida como inovadora conforme a quantidade de patentes registradas. Hoje, a régua é outra. Os genéricos estão ganhando volume de mercado e o perfil de inovação agora é eficiência, distribuição e proximidade dos clientes”, disse Neves, que ilustrou o cenário atual.

“Grande parte não possui linhas 100% automáticas, um simples exemplo é o medidor de temperatura e umidade, grande parte possui medidores off-line, registrando em papel duas vezes ao dia. Existe um mar de possibilidade de ganhos e eliminação de desperdícios, basta ter coragem e perceber que o setor de manufatura  também é um fator de sucesso da companhia, não mais apenas marketing e P&D”, afirmou a líder do grupo, que garantiu que não adianta investir em era digital no varejo sem dados sobre a cadeia de suprimentos e perfil do cliente.

Potencial a partir da rastreabilidade

Para a consultora Amanda Sylvan Neves, a rastreabilidade será diretamente responsável pela introdução do big data em toda a cadeia de suprimentos, e indiretamente da utilização do IA e IOT na indústria farmacêutica. “A demanda por IA vai chegar naturalmente quando os gestores perceberem que eles têm um cofre cheio de ouro, no caso dados oriundos da rastreabilidade, mas não sabem como abri-lo, devido à ausência de IA”, conta.

Por serem obrigatórias até 2022, as linhas de embalagens deverão estar equipadas com os softwares e hardwares que serializam, gerenciam e armazenam todos os dados de rastreabilidade gerados na linha. A quantidade de dados gerados, não só na produção, mas em toda cadeia de armazenagem e distribuição, será um sacrilégio não ser usada, de forma a agregar valor ao negócio.

Após esses dados tratados, será possível, para a consultora, ter informações como parada de linha, performance de linha, indicador de eficiência das máquinas e dos grupos de operadores, desperdício de matéria prima, índice de retrabalho, tempo de parada do medicamento em cada ponto da cadeia, perfil do consumidor e várias outras possibilidades dependendo das tecnologias acessórias à rastreabilidade.

Tudo estará disponível e quem não usar perderá a corrida da Nova Era Digital.

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