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19 fev 2020

Segurança, proteção da marca e combate ao roubo de cargas

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Auditoria preventiva contribui para evitar casos de roubo de carga

Em 2018, foram registrados, em média, 22 mil casos de roubos de carga no Brasil, de acordo com dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC).

O número representa uma queda de 15% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados quase 26 mil casos do tipo.

Mesmo com a queda, o prejuízo para o setor produtivo com a perda de cargas e veículos chegou a cerca de R$ 4 bilhões. Para os representantes do setor produtivo, a falta de articulação dos governos em torno de um plano nacional de segurança para os transportadores é um dos maiores problemas.

Os artigos farmacêuticos estão junto a itens alimentícios, eletrônicos, bebidas e combustíveis como o principal alvo dos bandidos.

Cerca de 78% dos roubos de cargas registrados no levantamento da PRF ocorrem em áreas urbanas. Os ataques em rodovias representam 22% do total. No caso dos crimes nas cidades, a maioria dos ataques ocorre pela manhã, enquanto, nas rodovias, o maior volume de roubos é registrado no período da noite.

Para o coordenador do Grupo de Trabalho ‘Prevenção, Inovação e Combate ao roubo de carga’, Luis Vitiritti, muitas vezes a quarteirização dos serviços de transporte fazem com que parte da operação não tenha a mesma segurança protecional da viagem principal.

Por isso, ele entende que uma das melhores formas para certificação deste processo pode ser a auditoria preventiva dos serviços contratados.

“Em auditoria de sinistros encontramos falhas básicas que poderiam ter sido cuidadas por uma auditoria preventiva. Muitas destas falhas estão direcionadas por uma contratação feita por preço, ou seja, compra de serviços em que o mais barato ganha a concorrência”, explica.

Ainda de acordo com o especialista, outros sinistros ocorrem por uma falha processual, em que existem todas as ferramentas contratadas, porém falta uma validação de alguma das partes, como a exigência de isca de carga dentro dos veículos transportadores sem bateria suficiente para todo o trajeto.

“O cliente embarcador contrata um transportador especializado e inclui dentro deste contrato as exigências mínimas de segurança e gerenciamento de riscos. O transportador contrata diversos serviços de segurança e gerenciamento de riscos, e na sua ótica realiza um trabalho de excelência. Estas empresas carregam em seus CNPJs uma história de sinistralidade e seriedade. Aqueles que creem que segurança é importante acabam tendo menos eventos de sinistro, aqueles que ainda não carregam este tema em seu negócio transferem para as seguradoras este risco”, conta.

Atenção a riscos é necessária

Segundo Vitiritti, muitos clientes contratam ferramentas de segurança com enfoque de prevenção de roubo, com muito sucesso e qualidade. No entanto, a carga chega com dano, avaria ou acaba colaborando com um acidente rodoviário.

“Acompanhei um cliente de motores para fábrica de automóveis. Estes produtos eram transportados sobre racks dimensionados para os motores que viajavam direto para a linha de produção dos veículos. Descobrimos como os racks eram transportados somente depois de um acidente”, conta o coordenador, que relatou que os  motores viajavam em racks, que não eram Inter travados, ou mesmo amarrados, ou parafusados no chassi do veículo transportador.

“Uma das viagens terminou com alguns dos motores atirados no meio da rodovia por falta de amarração correta do produto. Os caminhões eram do tipo “sider” que facilitam no processo de carregamento e descarregamento dos produtos, porém, não traziam a segurança aos itens transportados”, disse Luis, que mencionou que ao visitar a linha de montagem dos motores, presenciou  excelência de qualidade no processo de fabricação, embalagem, empilhamento, conservação, limpeza e cuidados com os motores, mas observou que na hora de terceirizar o transporte de produtos acabados, faltou o mesmo cuidado com a carga sobre o veículo transportador.

“Verificamos que muitas empresas cuidam de seus ativos dentro de suas fábricas, centro de distribuição, transportadores e parceiros. Porém, ao longo da cadeia de abastecimento encontramos muitas oportunidades de melhorias dos processos por meio de visitas, vistorias, processos de auditoria ou mesmo de uma simples verificação dos sistemas de segurança”, finalizou.

O que esperar para o futuro

Nos últimos tempos, algumas ações instauradas pelo governo e pela polícia na área de Segurança Pública, como a intervenção militar no Rio de Janeiro e a eficácia da polícia de Goiás, criaram uma tendência de queda na quantidade de ocorrências de roubo e desvios.

Outros aspectos como a sensação deste novo governo, que carrega uma linhagem mais militar, colaboram também para a diminuição na quantidade de ocorrências.

Portanto, como agir enquanto empresário?’ Para responder a esta pergunta, o coordenador Luis Vitiritti aposta em foco na prevenção. “Não adianta esperar apenas que o governo vá atrás do bandido. É preciso trabalhar para não sofrer o dano”, explica o profissional, que aponta algumas soluções, como visitas técnicas, auditorias e trabalhos de gestão de risco, que podem ajudar o empresário a entender o processo e também seu terceirizado.

“A auditoria é essencial para compreender o próprio risco, seu terceiro e ainda recomendar melhorias para o processo como um todo”, ressaltou o especialista, que aposta em um futuro com menos ocorrências.

Sobre o Grupo de Roubo de Cargas

O grupo tem o objetivo de falar sobre prevenção, inovação e sobre o combate ao roubo de cargas. No Brasil, especialmente na área farmacêutica, o produto médico hospitalar tem um valor agregado muito importante, o que muitas vezes acaba criando um mercado paralelo frente a uma necessidade, seja numa doença, numa aflição do consumidor ou também pelo preço alto.

Ao longo dos últimos anos, é possível observar o crescimento do mercado farmacêutico, tanto pela descoberta de novos tratamentos como pela evolução de tratamentos antigos. Por isso, este mercado conta com muita pesquisa e desenvolvimento, por exemplo, fármacos que eram só injetáveis ganharam versões inaláveis, medicamentos em pílula passaram a ter soluções mais fáceis, etc.

Portanto, conclui-se que o consumo do fármaco, mesmo em momento de crise, é interessante. Basta ver a quantidade de farmácias e marcas que entram para o mercado, que vive em franco crescimento.

Sendo assim, o coordenador do grupo Luis Vitiritti encara o fármaco como um item muito sensível, seja pela criação do mercado paralelo, pelo valor agregado ou pelo desvio do produto para farmácias sem rede e auditoria. “Existe esta vazão de mercado e como o Brasil é muito grande, é possível desviar dificultando a rastreabilidade”, destaca.

Para isso, o grupo reúne ferramentas de prevenção que existem para colaborar com o mercado, como caminhão rastreado, isca interna ao veículo, rastreabilidade com QR Code impresso no produto, caminhão blindado, amarração diferenciada que dificulta na hora de um acidente ou um saque do produto, etc.

Mesmo assim, o coordenador ressaltou que muitos produtos roubados ou desviados, por ficarem horas na mão de pessoas alheias, passam a perder a garantia de fábrica. “Muitos fabricantes entendem que o produto deve ser incinerado. Isso é importante para o mercado para que uma marca não seja pega de surpresa”, explicou Vitiritti, que considerou importantes o ciclo e a preocupação com o produto farmacêutico. 

Sobre o coordenador

Luis Vitiritti é consultor e auditor de riscos. Trabalha com gestão de risco para transporte e logística há 20 anos. Atualmente, atua na Risklog e na Anfarlog. Foi responsável por áreas de prevenção de perdas de 4 diferentes seguradoras e acabou visitando clientes, fábricas, logística e negócios sempre com a intenção de entender o processo do cliente, a terceirização dos produtos, aprender com a operação do cliente e recomendar trabalho de melhoria contínua. Estudou Administração com ênfase em Comércio Exterior trabalhando nesta área antes de entrar no segmento de riscos e seguros. Possui MBA em Riscos e Seguros pela ENS, além da certificação ALARYS de Riscos e Seguros na América Latina. Ao longo de sua carreira realizou mais de 2.000 visitas técnicas com a intenção de conhecer os clientes, seus cenários e ajudá-los a minimizar suas exposições.

Sobre a Risklog

A Risklog é uma empresa de consultoria e auditoria em riscos. Empresa iniciou suas atividades no início de 2016 para empresas de vários setores no Brasil. Atendendo especialmente através de vistorias de riscos, análise de processos, acompanhamento de clientes. Os principais serviços são treinamentos, visitas técnicas ou mesmo assessoria continuada. Para mais informações vejam os vídeos que estão na página web da Risklog. O principal mantra da Risklog é aprender com seus clientes para ajudar estas empresas a atingir seus objetivos com mais sucesso.

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